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Integrantes do PJ se destacam em competição de tecnologia com app voltado à inclusão

  • Fonte: Gerência de Comunicação Social
  • Publicado em: 01/06/2026
  • Assunto: Educação

Alunas do IFMG Ouro Branco integram equipe vencedora da fase regional do Technovation Girls Brasil com aplicativo alinhado ao tema deste ano do PJ

 

Um grupo de cinco alunas do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) campus Ouro Branco conquistou destaque ao vencer a fase regional da competição Technovation Girls, considerada uma das maiores iniciativas globais de tecnologia e empreendedorismo voltadas para meninas. A equipe Girls Innovation desenvolveu um aplicativo educacional criado especialmente para auxiliar alunos do ensino médio diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1. Três equipes do IFMG participaram da etapa, realizada em Florestal (MG), totalizando 15 alunas envolvidas.

 

Entre as integrantes da equipe vencedora estão as estudantes Júlia Gonçalves Vasconcelos Pereira e Minele Aparecida Patrício Gonçalves, participantes do Parlamento Jovem 2026 da Câmara Municipal de Ouro Branco. Neste ano, o PJ trabalha justamente o tema “Inclusão da Pessoa com Deficiência e Neurodivergência”, aproximando ainda mais a iniciativa estudantil das discussões promovidas pelo programa. Verônica Alencastro, gerente de serviços ao cidadão da Câmara Ouro Branco e coordenadora do Parlamento Jovem na cidade, foi uma das juradas da fase regional do Technovation Girls. “Fiquei muito feliz em participar como jurada, foi inspirador acompanhar o talento, a criatividade e o comprometimento das meninas participantes. Iniciativas como essa fortalecem a autonomia feminina, incentivam a presença das jovens na tecnologia e mostram como o conhecimento pode transformar realidades e comunidades”, destacou.

 

Além de Júlia e Minele, a equipe também é composta pelas estudantes Danielly Lourenço Condé, Letícia Moreira de Oliveira e Maria Fernanda Andrade Amorim. Elas destacam que o principal objetivo do aplicativo é promover uma inclusão educacional mais efetiva, respeitando as necessidades e o ritmo de aprendizagem dos estudantes neurodivergentes. Com o 1º lugar na fase regional, as alunas conquistaram o direito de participar da 2ª rodada de avaliação, em nível nacional, que acontece de forma online. No dia 2 de julho acontece o anúncio das equipes finalistas. Já em outubro será realizada a World Summit, etapa internacional da competição, na Índia.

 

Segundo dados apresentados pelas alunas, o Brasil possui atualmente mais de 2,4 milhões de pessoas com autismo, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na educação, os números também chamam atenção. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que o número de estudantes com TEA matriculados passou de 636 mil em 2023 para 918 mil em 2024. Em 2025, dos 2,5 milhões de alunos matriculados na educação especial, cerca de 1,2 milhão são autistas, representando quase metade desse público.

 

Apesar do crescimento nas matrículas, as estudantes ressaltam que a inclusão ainda enfrenta desafios significativos. Reportagens publicadas por veículos nacionais apontam dificuldades relacionadas à falta de orientação aos professores e à ausência de materiais didáticos adaptados, fatores que contribuem para a evasão escolar entre estudantes com TEA.

 

Diante desse cenário, o aplicativo foi pensado como uma ferramenta de apoio pedagógico e organização dos estudos. Entre as funcionalidades do aplicativo estão interfaces com cores suaves para auxiliar na concentração, cronogramas personalizados, simulados, exercícios vinculados à rotina do estudante, blocos de notas, calendário acadêmico, gravador de áudio para registros importantes e uma assistente virtual preparada para responder dúvidas de forma objetiva.

 

Além do foco educacional, a plataforma também busca auxiliar os estudantes na transição para a vida adulta, utilizando técnicas de segmentação administrativa e planejamento pedagógico. A equipe pretende futuramente expandir o projeto para uma rede global de professores especializados e conteúdos exclusivos. O projeto também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os relacionados à Saúde e Bem-Estar, Educação de Qualidade e Redução das Desigualdades.

 

Alinhadas ao tema central do Parlamento Jovem 2026, Júlia e Minele destacam a importância de garantir não apenas o acesso à escola, mas também uma aprendizagem real e inclusiva. “A autonomia liberta e a inclusão transforma”, reforçaram.

 

Apoio acadêmico fortaleceu o desenvolvimento do projeto

 

A professora Suelen Mapa coordena no IFMG Ouro Branco um projeto voltado a incentivar a entrada e a permanência de meninas na área de tecnologia, o “Vai Meninas”. O objetivo é atrair novas alunas e estimular aquelas que já estão matriculadas nos cursos a seguirem na área. A participação na Technovation Girls é uma das ações desenvolvidas dentro do projeto para alcançar esse objetivo. Nessa iniciativa, a professora Suelen participa como professora da área de tecnologia, oferecendo suporte técnico às meninas durante o desenvolvimento do trabalho. O professor Cleiton Duarte, também do IFMG Ouro Branco, atua dando suporte às estudantes na parte de empreendedorismo e estruturação da proposta, uma vez que a competição possui um duplo enfoque: tecnologia e empreendedorismo.

 

Outra pessoa que teve papel importante no desenvolvimento do projeto ao contribuir com orientações técnicas e pedagógicas ao longo da preparação da equipe foi a professora Paula Caldas, que atua na área de Química. Durante uma etapa preparatória de apresentação dos projetos realizada em Ouro Branco, Paula integrou a banca avaliadora e, posteriormente, reuniu-se com as estudantes para apresentar uma análise detalhada da proposta, apontando aspectos que poderiam ser aprimorados tanto na estrutura da apresentação quanto na forma de comunicar e valorizar a ideia. Além disso, sua experiência na área de educação inclusiva foi fundamental para o aprimoramento do aplicativo, auxiliando a equipe na compreensão das reais necessidades do público-alvo. Paula também colaborou diretamente na elaboração de conteúdos adaptados utilizados como exemplo na plataforma, incluindo um material de Química apresentado durante a avaliação do projeto.

 

Meninas e a tecnologia

 

Criado em âmbito internacional, o Technovation Girls incentiva meninas a desenvolverem soluções tecnológicas para problemas reais de suas comunidades, promovendo conhecimento em programação, empreendedorismo e inovação social. Os projetos são avaliados em etapas, considerando critérios como criatividade e relevância da solução; funcionamento do aplicativo ou projeto de IA; impacto social; pesquisa realizada; modelo de negócio; apresentação do pitch.

 

As melhores equipes avançam para fases internacionais e podem participar da celebração global do programa, conectando meninas de diversos países. O Technovation é considerado um dos maiores programas mundiais de educação tecnológica e empreendedorismo para meninas de 8 a 18 anos.